Os bastidores do entretenimento: conheça a carreira de uma executiva de licenciamento

Nunca se falou tanto sobre a experiência do consumidor. Customer experience, jornada do cliente, fator Uau!… são alguns dos termos cunhados no mercado atualmente para abordar a relação do cliente com marcas e empresas.

Mas se essa temática é relativamente nova no mercado em geral, há algum tempo ela já faz parte do dia-a-dia da indústria do entretenimento. De histórias bem construídas que fazem parte do imaginário popular aos brinquedos nas prateleiras, as empresas do meio vêm encantando adultos e crianças há gerações.

Para entender um pouco desse mundo, o Blog da Knowe.co conversou com a Knowe Advisor Sylmara Multini, executiva especialista em licenciamento de produtos, que consolidou sua carreira em passagens por empresas como Mattel, Disney, Warner Bros e Rio 2016.

O início da carreira

A trajetória profissional de Sylmara começa em uma empresa bastante conhecida dos brasileiros: a Hering. Lá, ela foi responsável por criar a divisão de licenciamento da empresa, unificando diferentes categorias de produtos e expandindo as marcas com as quais a Hering trabalhava.

Ela expandiu o portfólio de produtos com a marca Disney, além de acrescentar outros personagens bem conhecidos do público em geral, como os da Looney Tunes e a Barbie, elevando as vendas da Hering.

Já nessa fase de carreira, Sylmara nos ensina uma realidade deste mercado: “é uma indústria muito focada para receita. As pessoas pensam que trabalhamos mais pensando no glamour do que na geração de receita, quando é justamente o contrário. O foco está nas vendas”.

Se o foco está nas vendas, a pressão por resultados é inerente ao trabalho, algo que não assusta Sylmara. Atleta por 18 anos, ela já estava mais do que acostumada com essa forma de atuação. “Além disso, tenho pais que foram professores de educação física, então a barra sempre era muito alta e os esforços nunca eram o suficiente. Cresci numa época em que a competição era muito mais acirrada do que é hoje e sempre fui estimulada a dar o melhor de mim e ir além”, conta ela, sobre o incentivo que recebeu dos pais.

A escolha de Sylmara

Apesar do contato com o entretenimento, na Hering, ela atuava com confecção e comprava as licenças das marcas. Quando saiu da companhia, teve a oportunidade de ir para o “outro lado da mesa”, atuando nas empresas de entretenimento. Como ela chegou até lá? “Tropecei, mas me fascinei por esse setor e mergulhei de cabeça”, recorda.

Na Mattel, ela atuava com o licenciamento da Barbie e teve o primeiro contato com uma mentora, com quem ela troca experiências até hoje. “A Lisa é uma grande mentora, que me orientou no início de carreira. Quando estamos começando, normalmente não acreditamos muito em nós mesmos. Mas outras pessoas enxergam nosso potencial e colocam a gente no ombro delas, para que possamos ver as coisas que elas enxergam. E isso é muito importante pro nosso desenvolvimento”, compartilha Sylmara.

Com dedicação e acompanhamento de perto, ela estava indo muito bem na Mattel até que foi convidada para ir para a Disney. Nesse momento, ela teve uma decisão difícil a tomar e recorreu à sua mentora. “Quando ela me falou para não ir, eu disse: nesse momento não posso ouvir seu conselho porque é a Disney. Se a Disney está chamando, tenho a obrigação de aceitar”, ela lembra dessa decisão difícil.

Afinal, a Disney sempre foi uma forte referência na indústria do entretenimento, onde ela poderia aprender muito ao lidar com marcas e personagens tão marcantes no imaginário popular.

A indústria do entretenimento

Após sua passagem pela Disney, Sylmara consolidou sua carreira com passagem pela Warner Bros e pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos RIO 2016, onde foi a responsável por todo o licenciamento da marca.

De seu trabalho com essas empresas que são verdadeiros símbolos do entretenimento mundial, Sylmara apresenta sua definição de licenciamento: é a forma que as empresas encontraram de engajar a população na sua marca e, ao mesmo tempo, serem remuneradas por isso.

Hoje, grandes empresas na área de licenciamento seguem sendo Disney, Warner Bros, Mattel, os grandes times de futebol e outros esportes. Elas continuam servindo de inspiração, mas para quem quer ingressar na área, Sylmara sugere que olhe para empresas como Netflix, Google e Amazon.

“É nelas que está o futuro do entretenimento. Essas empresas já estão desenvolvendo conteúdo e, num futuro breve, devem se fundir aos grandes players da indústria. O mercado está mudando, então é importante acompanhar a movimentação dessas empresas”, aconselha.

Para ela, essa é a indústria da paixão, da persistência e do trabalho em equipe. “Quando as pessoas entram nessa área, é difícil sair, porque é algo muito apaixonante e dinâmico. O entretenimento tem um rodízio de projetos e produtos muito grande e isso é fascinante. Além disso, trabalhamos muito duro e com muita gente, pois os estúdios são enormes. Há sempre muita gente envolvida nos projetos e é preciso saber trabalhar em time”, resume.

Pensando no futuro

Hoje vivendo em Los Angeles (EUA), Sylmara acredita que chegou onde está porque sempre se preocupou em pensar sobre o futuro. Tal hábito se tornou ainda mais importante durante seu trabalho na Rio 2016. Com o fim dos jogos, ela e toda a equipe estariam desempregados. Por se preocupar com o tema, ela já estava traçando seus planos, mas viu que muita gente de sua equipe não tinha essa preocupação.

Percebi que eu precisava fazer alguma coisa e comecei a dar mentorias. Eu queria provoca-los a pensar sobre o futuro e seus próximos passos. Comecei a disponibilizar uma hora do meu dia para ajuda-los a descobrir o que queriam fazer, onde estariam nos próximos cinco anos”, diz.

Nessas mentorias, ela conta que buscava apoiar os profissionais nas suas escolhas de carreira e que tinha – e ainda tem – uma exigência muito alta com cada um. “Eu tenho muita fé na capacidade das pessoas e quando encontro alguém com brilho no olho, faço o máximo para potencializá-lo. Sou exigente mesmo, pois somos pessoas muito privilegiadas. Temos muita capacidade e uma obrigação de ir além!”, incentiva.

Assim como ela foi muito orientada em sua carreira, Sylmara segue acompanhando outros profissionais. Para ela, isso é uma responsabilidade de todo profissional. “Temos a obrigação de treinar constantemente novas pessoas e mostrar para elas que existem outras possibilidades. Quando conseguimos fazer isso, a satisfação é enorme”.

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