A trajetória de uma campeã – Conheça a paratleta Lia Maria Soares Martins

Algumas carreiras começam sem muito planejamento ou escolha. Todas as trajetórias de sucesso, no entanto, são marcadas por decisões difíceis. Nesse processo, o profissional que conta com a orientação de pessoas mais experientes, têm maiores chances de fazer escolhas mais assertivas e que o levarão mais longe.

Neste artigo, o Blog da Knowe.co conta a história de uma das mais premiadas atletas paralímpicas do Brasil. Confira como Lia Soares Martins chegou lá.

O acaso e a escolha pelo basquete

“Foi amor à primeira vista!”. É assim que Lia Soares Martins resume o começo de sua relação com o basquete, que aconteceu meio sem querer. Uma das principais jogadoras da seleção brasileira de basquete sobre rodas, Lia percorreu um caminho bastante tortuoso para chegar até essa posição.

Depois de ter sido atropelada e ter tido a perna amputada abaixo do joelho, aos 17 anos, ela passou um período de isolamento em casa. Por não ter uma prótese, tinha vergonha de sair de casa com muletas e muita dificuldade de imaginar como seria sua vida dali em diante.

Sua vida, até o acidente, era como o de qualquer outra adolescente brasileira de origem humilde: frequentar a escola pela manhã e à tarde trabalhar para contribuir com a renda familiar. Ao ser atropelada, viu sua vida se transformar do dia para a noite, sem saber ao certo que rumo tomar. Durante sua recuperação, o apoio e as conversas com familiares e amigos fizeram toda a diferença.

Quando começou a reorganizar sua vida, foi solicitar o bilhete de ônibus para pessoas com deficiência e conheceu o Sr. Medeiros, guarda municipal que atuava como assistente técnico do All Star Rodas, uma equipe de basquete sobre rodas de Belém (PA), sua cidade natal. Ele aconselhou que ela conhecesse o esporte. Ela lembra: “convite feito, eu fui no mesmo dia. E me apaixonei”.

Aquele momento foi o divisor de águas da vida de Lia. Sua carreira como atleta começava ali, em 2006, e ela agarrou a oportunidade com unhas e dentes. No All Star Rodas, ela recebeu o melhor conselho da sua vida profissional: “treine, treine, treine”. Os anos que se seguiram foram de muita dedicação ao esporte e treinos junto ao seu time e também pela seleção brasileira de basquete sobre rodas.

Durante esse período, se aproximou bastante da Batatinha, uma jogadora mais experiente do time que acabou virando sua mentora. “A Batatinha me inspirava muito. Ela me ajudou muito no meu começo como atleta, me incentivando a dar sempre o meu melhor e dizendo que, seu eu treinasse com afinco, iria muito longe no basquete”, recorda a jogadora.

Além das palavras de apoio, a rotina de treinos puxados da colega de time foi outra inspiração pra Lia. Batatinha chegava mais cedo aos treinos, fazia treinamento de arremesso, de força e outros exercícios diferentes do grupo e Lia, se espelhando nela, seguiu seu ritmo.

A recém-chegada ao time também foi muito incentivada pelo seu técnico, que via nela grande potencial para fazer parte da seleção brasileira. Com as orientações dele, a atleta se dedicou cada vez mais e, ao participar de um campeonato, ela foi convocada para defender o país pela seleção.

O esforço é recompensado

Seu esforço e determinação lhe renderam diversas conquistas: pelo All Star Rodas conquistou diversas competições nacionais, entre eles o ouro no Campeonato Brasileiro em Recife (2015), em que foi eleita a cestinha da competição, e o título de melhor jogadora da América Latina. Pela seleção brasileira conquistou medalha de bronze nos Jogos Parapan-Americanos em Guadalajara (2011) e em Toronto (2015), quando também foi eleita a melhor atleta do basquete em cadeira no Prêmio Paralímpico, um dos mais importantes para a categoria.

Por conta de sua atuação na seleção brasileira, a atleta já participou de três Paralimpíadas. Sobre as primeiras, em Pequim e em Londres, ela se recorda: “em Pequim, eu tinha pouco mais de um ano de basquete. Fiquei maravilhada pensando ‘saí da favela e fui viajar pelo mundo’. Londres me encantou ainda mais, pois reconheci muitos lugares que eu já tinha visto pela TV e estava tendo a oportunidade de conhecer ao vivo.

A terceira, diz ela, foi a mais especial, “porque foi em casa… Realizei um sonho de defender meu país e sentir a energia e a força da torcida. O momento mais marcante foi o primeiro jogo contra Argentina. Me emocionei ao cantar o hino nacional”.

Para obter essas conquistas, Lia abdicou de muitos momentos de lazer e diversão, se dedicando integralmente aos treinos e jogos. Para ela, tudo que conquistou só aumenta a responsabilidade para se manter no mesmo nível – afinal, não é fácil ser escolhida por três vezes como a melhor jogadora do Brasil. Mas e depois dessas conquistas? Qual seria o próximo passo?

A decisão mais difícil

Um novo clube. Como toda carreira, a de Lia também é feita de decisões e, em 2016, ela se deparou com a mais difícil de todas até então: aceitar ou não o convite feito pelo Gaadin e pelo Gladiadoras para trocar de clube? Muitos aspectos deveriam ser levados em conta nessa escolha, pois ela impactaria toda a vida de Lia, já o clube fica em Indaiatuba, interior de São Paulo, a mais de 2.800 km de Belém.

Motivada pela ambição de jogar o principal campeonato brasileiro, o Paulista, e ter uma agenda de jogos mais intensa, Lia assinou o contrato com o novo clube. Nesse momento, além de recorrer aos seus amigos e familiares, ela contou com o apoio da Gra, a técnica do Gladiadoras. “Ela me apoia e orienta dentro e fora as quadras e dá um suporte muito importante pra minha carreira”, conta.

Atuando pelo clube paulista, Lia está realizando um sonho de carreira, pois, de todos os maiores campeonatos que acontecem no Brasil, só faltava a ela participar de um: o Paulista. Além disso, ela joga também como atleta convidada de outros campeonatos regionais, se destacando na elite do basquete sobre rodas no Brasil.

Apoiando novos atletas

Atualmente, a jogadora segue sua rotina no clube e também na seleção brasileira, mas sabe que em breve deverá tomar novas decisões de carreira e já pensa no futuro. “Quero fazer faculdade de educação física e fisioterapia para trabalhar com crianças com deficiência, na iniciação ao esporte”, conta ela.

Essa motivação vem, obviamente, de sua história pessoal e da vontade de compartilhar seu conhecimento e experiências com outras pessoas e ajudá-las em suas trajetórias. Lia acredita que sucesso é ser feliz dentro e fora das quadras e deseja ser um modelo a ser seguido e uma inspiração para as futuras gerações.

Nessa jornada, ela sempre teve mentores nos quais pode se inspirar e dá um conselho que serve para qualquer profissional: “busque alguém em quem se espelhar. Conheça sua história e absorva os bons exemplos. Tenha disciplina, metas e treine com objetivos, pensando no que almeja”, finaliza.

A história da Lia inspira conexão, compartilhamento, troca de experiências. Se você quer ter alguém para que te ajude nas suas decisões de carreira, conheça a Knowe.co e nossos advisors. Na nossa comunidade, você encontrará alguém para te orientar nas suas escolhas e te auxiliar com os próximos passos. Clique aqui, encontre seu Knowe advisor e agende uma sessão!

  • Jussara Ferreira

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